Se a minha Arroja era um gueto

A Arroja é um subúrbio de um subúrbio de Lisboa. A Arroja dos anos 80 e ínicio dos anos 90 era habitada por pretos, ciganos, retornados, veteranos e refugiados de guerra, realojados das cheias, migrantes do interior.

Pobres. Uns mais, outros menos.

Não haviam transportes públicos frequentes, faltava a água e a luz, a escola primária era longe e num ex-estábulo das meninas de Odivelas onde chovia e não havia mais do que um pátio de 10 metros com calhaus soltos para 60 crianças brincarem, a preparatória/secundária era em pré-fabricados quentes no Verão e frios no Inverno. Não haviam espaços verdes, não haviam infra-estruturas desportivas ou de lazer.

Mentira. Havia um espaço verde, os trevos, que tinha sido criado e mantido pelos habitantes de duas pracetas. Havia um campo de futebol que começou por ser um rectângulo de areia e que foi inaugurado pelo menos 3 vezes por diferentes políticos. Para depois voltar a ser fechado a sete chaves, abandonado e vandalizado. Até às proximas eleições.

Haviam pessoas que atiravam sacos de lixo pela janela, descampados, putos ranhosos e famílias esquisitas. Havia droga com fartura. Isso sim senhor, havia. E haviam prédios por acabar abandonados e barracas que serviam de alojamento aos agarrados. Se um puto quisesse ser agarrado, a Arroja oferecia todas as condições. E muitos, por pensarem que nunca o seriam, acabaram por o ser.

Agora se um puto quisesse fazer desporto ou brincar. Aí, já era lixado. Aí tinhas que ter uma vontade de ferro. Estes putos estúpidos que queriam andar de skate, de bicicleta, jogar futebol ou basquetebol, não tinham alternativa senão construir as suas próprias infra-estruturas desportivas. As rampas de skate ou bicicleta, as balizas ou tabelas feitas com restos de construção. As infra-estruturas que deviam ter sido construidas com o dinheiro dos impostos dos nossos pais.

Mas em vez disso, o dinheiro dos nossos pais era usado pelos senhores da Câmara, ou da Junta, ou da puta que os pariu, para virem destruir estas construções não autorizadas. Estas construções não autorizadas no meio dos prédios abandonados cheios de agarrados, dos descampados cheios de lixo e restos de construção, dos canteiros cultivados com seringas e kits em vez de malmequeres.

Hoje, eu sei que os funcionários apenas cumpriam ordens de alguém. Alguém que com um sorriso nos lábios mentiu a crianças que pediam que fossem autorizadas a entrar na escola ao fim de semana para poderem jogar ou andar de skate, em vez de terem de saltarem o portão para depois fugirem do segurança de pistola em punho como se estivessem a cometer algum crime. Alguém a quem eu escrevi uma carta expondo a situação na Arroja e os seus efeitos, e sugerindo que o dinheiro dos contribuintes fosse melhor gasto: a construir em vez de destruir. Esse alguém que me respondeu que eu era um “jovem ignorante e mal formado”.

Hoje, talvez eu gostasse de encontrar este alguém. Talvez eu gostasse de lhe mostrar que agora tenho formação que o faz parecer um analfabeto. Talvez eu gostasse de lhe rebentar a tromba toda até me aparecerem os ossos dos nós dos dedos, pelo Adolpho, pelo Beto, pela Martinha, pelo Renato, pelo Batman, pelo Robin, pelo Vitinho, pela Catarina, pelo Harley, pelo R.P., pela merda de cultura de excessos que se impõe quando não há nada para fazer.

Ou talvez não. Talvez ninguém tivesse responsabilidade por estes trágicos incidentes.

Talvez a única coisa que esse alguém merecesse da minha parte, fosse o que sempre teve. O meu puro e sincero desprezo. Por alguém que não é ninguém.

Em tenra idade aprendi que tenho que resolver os meus problemas sozinho. Que ninguém os vai resolver por mim e que muitos, que nada fazem, se vão opor a tudo o que eu fizer.

Em tenra idade aprendi a desprezar e a odiar a polícia e os políticos. Os polícias já aprendi a respeitar. Os políticos, infelizmente, ainda não me deram razão para isso.

Se a Arroja era um gueto? Não sei.
Sei que esta Arroja já não existe, mas existem outras Arrojas noutros locais.

Não trocava a minha infância na Arroja por nada! Ela fez-me determinado, persistente, obstinado.

Se eu gostaria que os meus filhos crescessem num sítio como era a Arroja?
Não.

53 comments

  1. Paulito

    Muito bom.
    Na maioria destes bairros não houve a mais pequena preocupação com o ambiente urbano ou com a criação de equipamentos sociais integradores (creches, escolas, jardins, parques desportivos), pelo contrario, eram reprimidas todas as tentativas de criação de “equipamentos de lazer”.
    Os policias de agora eu também respeito …
    Grande abraço

  2. Ricardo Lino Neto

    A Arroja era, e é, um purgatório. É um limbo para onde as pessoas foram empurradas por uma qualquer força centrífuga, mas que se resume à falta de meios económicos. Para mim foi sempre uma foda que nunca me ofereceu identidade, nunca senti que pertencia ao lugar. Até o nome é feio! Arroja a dignidade pelo chão; arroja e desterra.

    • Paula Vicente

      Os sítios são feitos de pessoas e só se sente com a dignidade derrubada quem quer. Todos aspiramos a algo melhor na vida e sem dúvida que existem imóveis dentro do concelho com características semelhantes aos da Arroja que não sofrem a desvalorização que decorre da má reputação do sítio. O que acho lamentável é a vergonha que as pessoas sentem. Muitas vezes dizem; “vivo no Jardim do Sol” ou “vivo ao pé das Colinas do Cruzeiro”. A Arroja cujo nome tem origens muito discutíveis é muito antiga. Já El Rei D.Dinis vinha para cá caçar! E já se chamava assim.

      • Fernanda

        Paula Vicente, tenho o maior orgulho da minha Querida Arroja e nunca senti ou sentirei vergonha de dizer que cresci na Arroja.
        Obrigado
        Fernanda Almeida

  3. Nuno Fialho

    Tive uma infância do caraças na Arroja. Havia, e parece que ainda há, muita porcaria, mas lembro-me de andar sempre à vontade na rua, skate, bicicleta, futebol, basquetebol eram os pratos do dia. Miúdas giras também não faltavam.
    Até havia bandas de garagem.
    Intelectualmente não era muito estimulante. Era sim, no desenrascanço. Ou te viravas, ou estavas tramado. A escola não me ensinava nada disso.

  4. Kelson Lopes

    Arroja é um mundo a parte , o que se passou e o que se passa aqui não passará em mais lado nenhum

  5. Bruno

    Gostei de viver na Arroja para um puto determinado aprendia-se muito o que era bom e o quer era mau, acima de tudo fico feliz por não ter experimentado muitas coisas que de certeza me levariam a maus caminhos, tive sorte por escolher bem!
    Mas tive de certeza todo o tipo de brincadeira que teria noutros sitios chamados de melhores, brincadeiras infantis, jogar ao guelas, pião, construir carros de rolamentos etc… 🙂 de tudo se inventava para ter o que fazer!
    Se gostaria que os meus filhos crescessem num sitio como a Arroja ? Também sou levado a dizer que não!

    • CARLOSMINHOTAS

      EU NASCI NA ARROJA E TENHO MT HONRA NISSO ERA UM BAIRO MARAVILHOSO AONDE TODOS SE CONHECIAM ERA GIRO IA PARA A FILA DA AGUA NO CHAFARIZ A MINHA MAE VINHA AO PE DA PONTE LAVAR A ROUPA NAO HAVIA MT LUZ MAS NO FUNDO ERAM TODOS UNIDOS ,VERDADE QUE QUANDO A DROGA CHEGOU ARROJA TUDO MUDOU UM POUCO AS PESSOAS ENVERGARAM POR ESSE CAMINHO PORQUE QUIZERAM EU NUNCA O FIZ MAS MIGOS MEUS ALI MORRERAM COM AS DOENÇAS QUE A DROGA TRAS ,,,MAS NO FUNDO TENHO SAUDADES DESSE TEMPO HAVIA DIVERSAO BOLA,BERLINDES,CARROS ROLAMENTOS,PEAO BRINCAR AS ESCONDIDAS AO LENÇO APANHADA E HAVIA MT FRUTA PARA IR A CHINCHADA KKK HOJE VOU ARROJA TUDO MUDOU MINHA LINDA TERRA

  6. Rui Silva

    DANIEL …. eu, tu e muitos de nós, retratamo nos em todas as palavras que mencionaste atrás …. da “ARROJA” de outro tempo, contra tudo e contra todos, sairam grandes HOMENS e grandes MULHERES ….. Um grande abraço!!!

  7. Ana Claudia Calado Franco

    Epa eu fui à Arroja pela primeira vez em 1998 e desde então que descobri um novo Mundo 🙂 Amigos, amores e aventuras. Vivi lá 10 anos e agora bazei mas há-de ficar sempre na memória, sem gozo!!

  8. CRYSTY

    pois eu meu caro desconhecido ;digamos que nasci na arroja á muitos anos atrás e cá continuo com muito orgulho tive uma infância normal brincadeiras na terra ;escondidas no campo de trigo no ” pragana ” na arroja velha mesmo….vi quando chegaram as pré fabricadas ; convivi com pessoal das ” barracas ” nada me caiu…casei ; tenho duas filhas maravilhosas nascidas e criadas na arroja e digo mais ….nada me puxa para sair daqui… porquê?? porque á sítios ; guetos autênticos piores que a arroja…..até um dia destes

    • Rute Silva

      Tirou-me as palavras da boca, Crysty !

      A única coisa que nos deixou foi uma “sabedoria” avançada…e isso serve para evitar muitos erros na vida.

      • CRYSTY

        obrigado RUTE ….mas foi nesses erros que aprendemos a defender-nos deles ….bendita sabedoria …até breve

    • Mike

      Não diria melhor….tenho muito orgulho em ter vivido na arroja e apesar de já não morar lá, ainda passo lá muito tempo e gosto que a minha filha também por lá esteja e brinque….

    • Fernanda

      Crysty
      Gostei. A Nossa Arroja foi um sonho, estragaram-na um pouco, mas continua a ser a nossa linda Arroja. Nos bairros mais finos de Lisboa existe e existiu muito mais desgraças e são locais de gente fina, como se costuma dizer.
      Será que a conheço?
      Umabraço

  9. Elisabete Fonseca-Salgueiro

    Eu vivi na arroja de 1982 até 1994. Não posso dizer que foi mau. Para mim era um sítio onde todos se conheciam. Onde podia brincar na rua, ir ao centro e tratar todos pelo nome. Voltei a viver na arroja. Não por eleição, mas porque as circunstâncias assim o quiseram. O início da minha vida enquanto mulher independente e hoje, passado uns anos, o início da minha vida a dois. A minha casa pode não ser 5 estrelas, mas é um lar. Pode-se ouvir um tiro de vez em quando, ficamos sem luz e sem água bastantes vezes, mas posso sair à rua, a qualquer hora e não tenho medo de o fazer. Posso percorrer as mesmas ruas que percorria enquanto criança e não me sinto observada. O que não gosto é de ver algumas coisas desprezadas, escolas destruídas, campos de futebol fechados, e todo um desinvestimento que é feito neste pedaço de terra, para que o bairro chique “As colinas” tenha tudo o que os senhores querem… enfim… Pelo menos aqui sou feliz.

    • CRYSTY

      olá ELISABETE !!! concordo plenamente …quanto á parte das colinas acho que foi uma zona para preencher não tá mal de todo mas como diz o DANIEL nem vou dar tantos anos …é só cimento não conhecimento !!!!

    • Fernanda

      Elizabete
      Tenha sempre orgulho de falar nesse pedaço de terra chamado Arroja,
      É de lamentar que não consigam melhorar certos pontos na Arroja, seria tão bonito.
      Mas mesmo assim é a nossa Arroja.

  10. Paula Vicente

    Vivo na Arroja há 14 anos e acho o texto exagerado e profundamente difamatório. É um bairro onde há problemas de infraestruturas mas não me parecem mais graves do que em outros bairros do concelho de Odivelas. Acho igualmente exagerada a guettização do sítio. Vivem atualmente na Arroja pessoas dos mais variados extratos sociais. É injusto e só contribui para reforçar a má reputação do local. Ah, tenho uma filha que até há pouco tempo sempre brincou na rua e considero a Arroja um sítio muito melhor para uma criança crescer do que por exemplo, freguesias como o Olival Basto. Efetivamente nos tempos que vivemos os problemas sociais dos grupos mais desfavorecidos estão a agravar tensões e a aumentar a sensação de insegurança, mas infelizmente isso estã-se a passar em todo o lado. E já agora acrescento que não sou africana, nem cigana, nem indigente , embora comente às vezes em tom de brincadeira que vivo ali no limbo entre o pessoal chique das colinas e a malta do bairro social. Mas acho que posso perfeitamente viver com isso.

    • Daniel Gomes

      Olá Paula. Obrigado pelo comentário. O texto refere-se à Arroja dos anos 80 e início dos 90. Há 14 anos estávamos em 1998.

      Hoje, sem sombra de dúvida que é muito melhor. Não considero o texto difamatório para a Arroja ou para os Arrojenses.

      São apenas memórias pessoais minhas.

      • Paula Vicente

        Bom dia Daniel. De facto depois de reler o seu texto percebi que se reportava ao passado e que fui um pouco irrefletida no meu comentário. penso que reagi mais a alguns comentários do que ao texto em si. Um bem haja.

  11. Carlos Melo

    Eu vivi na Arroja e sim concordo contigo, a Arroja foi,é e sempre será uma lição de vida, .
    Desculpa não me lembrar de ti, mas lutaste por aquilo que eu também lutei, eu tb saltei o portão da escola para andar de skate, participei nas provas de atletismo dos Canarinhos da Arroja, onde também fiz teatro , fiz radio na Nova Antena e um monte de outras coisas mais.
    Tive amigos na Arroja que nunca mais terei, Amigos daqueles que só é possivel encontrar em locais como a Arroja, amigos verdadeiros.
    Eu vivi na Arroja, nas casas pré-fabricadas, vulgo Barracas ou também conhecido como o bairro dos ciganos, ou como o bairro do ” Estrelinha” é apesar de tudo isto eu ainda era o retornado, sim eu gostei de viver na Arroja, com tudo de mau que tinha.

    Carlos Melo.

    • M.Fatima Pereira

      Mas eu lembro-me de ti Carlos…e a vatagem de bairros como a ARROJA vamos la passados 20 anos e ainda temos pessoas amigas-e outras menos…-o que nem sempre acontece outros lados(?) “melhores”…um bem haja…

    • Olga Reis

      O grupo de teatro foi fabuloso… muitas saudades! Lembras-te de mim Carlos Melo… Paulinha ?

      • carlos Melo.

        sim Paulinha como poderia não me lembrar, tempos maravilhosos. Estou no facebook como “Carlos Melo” se tiveres face adiciona-me e o mesmo vale para todos amigos e amigas dessa terra dura e bela que apenas nos moldou o caracter.

  12. M.Fatima Pereira

    Apesar de agora estar longe(muiiiiiittttto longe)e num meio completamente diferente,onde nao existem Arrojas,tenho muito orgulho em ser da Arroja,Aoja,Arracha,Arrucha,Arucha,…e todos esses nomes que nos apareceram nas cartas ao longo dos meus 50 anos de ARROJA…Olha,tomara,muita gente ter tido a oportunidade de viver num sitio como a ARROJA,,eu sou do tempo de brincar-mos as casinhas no meio da estrada-na ARROJA velha,sim no meio da estrada -e quando passava um carro era uma festa,agora quando la vou tenho medo de sair a rua depressa demais senao sou atropelada…eu sou do tempo de ir-mos deitar “papagaios” ou “estrelas” de papel de jornal,e canas que nos construia-mos com cola feita por nos,com farinha que surripiava-mos da cozinha ,sem a minha avo ver,para nao levar-mos um sopapo…sim a farinha era cara e fazia falta para a comida ,nao para contruir “papagaios”…eu sou do tempo,de ter que ir para a preparatoria Avelar Brotero no” Cu de Judas”a saida de Odivelas…e era uma sorte ir para la ,porque a maior parte da malta que andava comigo na primaria ,assim que saia de la (da primaria e claro..)ia para a fabrica das Tripas trabalhar…sim eu sou do tempo do trabalho infatil existir abertamente,e da primaria ser a da Quinta do Mendes acabadinha de ser construida-a de” baixo” e mais tarde acabarem a de”cima” eu sou do tempo de ver a malta”chique ” de Odivelas ir fazerem piqueniques ao Domingo nos campos por cima do chafariz,ainda nem terem as “barracas “pre-frabicadas,mas havia as barracas em frente e claro…
    eu sou desse tempo,e olha que tenho 50 anos porque a minha mae foi para la morar com 7 anos por isso por isso e doutro tempo e ve la tu o que ela se deve lembrar…sim porque ela ainda la mora apezar dos azares da ARROJA…foste feliz porque ,mesmo nao tendes tido uma boa escola preparatoria.,era na ARROJA..a minha era 45m mais longe…E A PE…foste sortudo em teres uma escola primaria Chunga ,mas aberta por gente de bem que trabalhou de BORLA PARA ELA ABRIR… a minha era 10 m mais longe…e os rapazes dum lado e as raparigas doutro…(e na preparatoria tambem)…tiveste sorte em teres “liceu”nas mesmas salas da preparatoria,eu fui desterrada para o E.O.-EXTRENATO ODIVELAS-Que e num predio sem salas ,eram quartos,e sem nada,de nada,-mas eu ADOREI os 3 anos que la andei…-olha a secundaria de Odivelas so foi feita no ano seguinte e eu nao quiz mudar…-eu sou do tempo…eu sou do tempo em que eramos felizes meu “menino” com aquilo que tinhamos,e tinhamos tao pouco…podia agora estar o resto do dia e nao acabavam as memorias,minhas e do meu pessoal que vive na ARROJA,…SIM porque ainda la vivem muitos dos meus,e apezar de eu estao tao lloooooonnnje e pelos vistos ir ter netos de outra nacionalidade-bem mais “chique”que a ARROJA”-Faco ideia de os levar la e lancar “papagaios “e “estrelas” na serra do moinho…-mas se calhar faco-os com cola…a farinha e agua descola muito rapido…APROVEITAM CADA MINUTO DAS VOSSAS VIDAS E SEJAM FELIZES,beijos pra ARROJA…

  13. M.Fatima Pereira

    Pras:ARUCHA,ARRACHA,AROCHA,ARUJA,e por ai fora estende se o abraco,e pra ti tambem que agora tens a oportunidade de morares num local lindo,APROVEITA-O…

    • CRYSTY

      Ó FÁTIMA !!!!! lembra-me a idade que já tenho !!!! meu deus foi mesmo á muito tempo atrás …eheheheheh… um bem aja

    • Fernanda

      Fátima eu devo conhecer-te, quem és?
      Gostava de saber, pelo nome não estou a ver!!! Eu sou a Fernanda, irmã do David e filha do Sr. David e D. Beatriz, infelizmente já não estão entre nós.
      Que bom ouvir falar assim da nossa linda e adorada Arroja
      Um abraço

      • M.Fátima Gomes Pereira

        assados estes anos…eu continuo a ser a Fátima da Arroja,neta mais velha dos “Peixeirinhos” e uma famílias mais antigas da Arroja,morei,e ainda lá tenho casa na Rua principal,mas “costas””da Quinta dos Parganas”

      • M.Fátima Gomes Pereira

        passados estes anos…eu continuo a ser a Fátima da Arroja,neta mais velha dos “Peixeirinhos” e uma das famílias mais antigas da Arroja,morei,e ainda lá tenho casa na Rua principal,nas “costas””da Quinta dos Parganas”
        A minha família é das mais antigas da Arroja
        E apesar da vida me ter trazido pra tão longe ,continuo a tDr muito orgulho das minhas raizes que são todas na Arrojamas
        Aprendi a defender -me/ a lutar por aquilo que queria / a acreditar que era possível
        Não era um bairro ” bonito “…
        Não tinha infraestruturas,mas para nós ,residentes era seguro…
        Nunca fui assaltada,nem incomodada…eu era do bairro,neta dos “Peixeirinhos”,que muito trabalharam ,e que compraram aqueles terrenos a 30 escudos o metro quadrado…sempre tive luz,televisão aos 4 anos,e água canalizada aos 5 anos ( tenho agora 59 anos ,faço 60 anos em Março de 2022 ) 🙏se lá chegar…
        Mas tenho memórias da Arroja…maravilhosas,dos moinhos trabalharam (3 moinhos)
        Da Alvada trabalhar,do moinho em frente ás nossas casas ( e já em ruinas) servir de palco a pikNiks,lançamento de papagaios e estrelas,de brincar às casinhas,etc…etc…
        Que saudades da minha Arroja…

  14. Luís Rodrigues

    Daniel, congratulo-te desde já, pelo texto e pelo enaltecimento das minhas memórias.
    Eu não morei na Arroja, mas estudei na escola preparatoria nos anos 80, pois morava na quinta do Mendes e não tinha “cunhas” para ir para a Avelar Brotero, e assim aos 10 anos apanhava o autocarro perto da biblioteca D. Dinis que subia a unica estrada para a minha escola, tendo por vezes ter que ir a pé por essa estrada ou pelo monte (na ramada).
    De certo que não era a melhor escola do mundo e a paisagem urbana não nos fazia encher o olho, mas isso naquela altura não era importante, mas sim as emoções e os momentos que passei.
    A minha turma no 5º ano era composta por alguns repetentes como o “zarepa”, “bruno sá” e mais alguns que não me recordo o nome, ah e a bela “verónica” que morava à frente da escola.
    Lembro-me dos boatos dos assaltos, mas nunca fui assaltado. Minto, fui uma vez , por um rapaz (não me lembro o nome), na arroja velha quando descia a rua a chover a potes e ele levou-me o chapéu de chuva, e la fui eu todo encharcado.
    Lembro-me da prof. de História, que diziam que tinha pousado para uma revista (n sei se é verdade ou tretas daquela altura).
    Drogas, sim eram muitas! Alguns colegas de turma cheiravam cola e nós dentro da escola via-os naquele estado. O primeiro cigarro foi na Arroja, no meio do monte com colegas…
    Foram muitas emoçoes que vivi e aprendi a desenrascar-me sozinho e não sinto qualquer arrependimento de ter passado por aquela escola, sim formou-me de certa maneira por aquilo que sou hoje.
    A todos que passaram por aquela escola, um grande abraço.

    Luís Rodrigues

  15. Marlene Delgado

    Li o texto, e se bem que consigo entender o ponto de vista no que diz respeito à falta de infrastruturas e espaços de lazer e culturais, etc., fiquei a pensar….Vivi na Arroja de 1980 a 1997 e nunca foi tão mau quanto a imagem que transparece do texto. Frequentei a escola primária e apesar de ser um anexo / ex-estábulo das meninas de Odivelas com um pátio pequeno, a verdade é que só me deixou boas memórias, e o pátio era fatástico para as nossas brincadeiras! Sim…os transportes públicos não eram o ponto forte, mas eu descia e subia a rampa a pé com as minhas amigas e..era divertido e por incrível que pareça…seguro!! A preparatória, posteriormente EB2/3, apesar de pré-fabricada deixou-me imensas saudades e ensinou-me bem! Enquanto criança, sempre pude brincar nas ruas e ir a todo lado sozinha, sem ter de me preocupar duas vezes com a segurança….Desenhávamos jogos com giz nos pátios e nas estradas, jogávamos ao elático e às escondidas e nunca tive a ideia de estar a viver num “gueto”. Toda a gente sabia quem éramos e todos “olhavam” por nós, e só assim é que os meus pais podiam ir trabalhar descansados e deixar-me sozinha em casa nas férias! Quando saí da Arroja já tinha 18 anos, a Arroja estava de cara lavada com os descampados ajardinados, mais bonita. Se existiam problemas? Sim! Sem dúvida! Se o dinheiro dos impostos dos nossos pais poderiam ter sido melhor aproveitados? Claro!! Mas um “gueto”? Penso que é exagerado!! Saí da Arroja para ir morar para a linha de Cascais (teoricamente muito mais “in”) e encontrei o mesmo tipo de problemas sociais, de ornamento de território, de falta de espaços de lazer e culturais…Passei muitos anos a voltar sempre que podia à Arroja e a Odivelas, para ir ter com os muitos amigos que lá tinha, e ainda hoje penso nos anos que lá vivi com saudade e muita alegria. Fui muito feliz na Arroja!! Se olhar para trás com os olhos de um adulto penso que a Arroja era espelho das políticas de ordenamento do território e das políticas sociais do país, nesses tempos….e não era muito diferente da maioria dos subúrbios de Lisboa..mesmo os teoricamente mais finos! O mundo e a nossa visão dele evoluiu muito em 30 anos (e possivelmente a Arroja de há 30 anos não nos parece muito apelativa) …mas consigo lembrar-me de muitos locais bem piores para crescer e viver.

  16. Soraia P

    ora bem… Concordo com o teu texto relativamente a politicos e dinheiros mal gastos, pois isso infelizmente reflecte o pais inteiro e tal como tu nao acredito em politicos, mas nao posso concordar sobre alguns comentarios sobre a Arroja. A minha familia vem toda da Arroja “Velha” (que nao e tao “in” como o monte de cimento que deram o nome de “jardim do sol” ou colinas de nao sei o que) onde muitas geracoes foram criadas e ninguem virou “agarrado” ou “ranhoso”. Nao tenho experiencias da escola primaria,pois nessa altura nao estava a morar na zona da Lisboa, mas quando andei na escola pre fabricada, super quente no verao e muito fria no inverno, conheci muitos amigos que andaram nessa primaria e ninguem vinha traumatizado. Dessa escola so trago boas memorias e muitos bons amigos que de certo nao faria noutras areas mais chiques de Lisboa.Brincava na rua ate a meia noite e nunca ouve problemas, andava de bicicleta, jogavamos as escondidas ou ficavamos na rua a cantar disparates sem nenhuma preocupacao, coisa que nao faria noutras zonas de lisboa/ odivelas.Corriamos entre regadores de relvam, conviviamos com os tais ciganos,pretos, putos ranhosos ,ricos e pobres e nunca ninguem foi descrimidado ou posto de parte. Estava rodeada de familias que “andaram com a minha mae ao colo quando ela era bebe” e ia a todo o lado sozinha ou com amigas e nunca andavamos com medo. Nao havia muitos transportes…mas em todo o lado se fala do mesmo, fora da zona de lisboa tens sitios que tem um autocarro de manha e um a tarde, e isto e em tempo de escola pra os miudos irem pras aulas. Eu tinha a sorte de apenas ter de subir a arroja pra escola pre fabricada ou apenas descer a arroja pra escola secundaria,sempre recusei a apanhar qualquer autocarro,pois era muito mais divertido subir a arroja e passar pelos putos ranhosos meio nus a mixar pra rua e a tentarem acertar no autocarro. Vi vizinhanca a luta e a fazerem “barracas” na rua mas isso so nos deixava mais divertidos. Drogas nunca vi, mas isso ha em todo e lado e escolhas sao escolhas, pode haver situacoes familiares que levam as pessoas a droga, mas a culpa nao e a localizacao onde se mora. a unica coisa que me enervava na arroja era os presentes que os caes deixavam e ninguem apanhava e quando os canos de agua arrenbentavam durante o inverno, mas quando havia cheias nos nao tinhamos problemas nenhuns hehe.Podia ficar aqui o dia inteiro a recordar a Arroja. Hoje nao moro na Arroja, pois estou fora do pais, mas sempre que posso e ai que vou e sobre a minha infancia sao as memorias de situacoes passadas na Arroja que me mete um sorriso nos labios. Quero mostrar a Arroja a familia do meu futuro marido, pois foi esse sitio que me fez quem fez e se hoje tenho sucesso na minha vida e respeito pelos outros, muito o devo as experiencias desse sitio.Se um dia tiver filhos tambem os quero levar a Arroja pra poderem ouvir ” eu andei com a tua mae ao colo quando ela era bebe”

  17. Quim Zé :)

    A Arroja velha dos anos 80, era igual a outras arrojas espalhadas pelo país, ou provavelmente até melhor, porque lembro-me de ir á terra dos meus pais e estar desejoso de regressar porque lá não havia nada.. Na Arroja dos anos 80 havia gente boa e má, tinha-mos de saber escolher as companhias, como em qualquer outro lugar. O que faltava, também faltava noutros locais. Não era só na Arroja que faltava a água, a luz e outros bens de consumo. Faltavam escolas, parques desportivos, etc… Mas havia montanhas, animais selvagens, rios onde se podia tomar banho, pássaros e árvores. Podíamos ficar a brincar na rua de noite, jogar à bola, andar de bicicleta, saltar a fogueira, etc. e agora ??? Nas outras arrojas os nossos filhos podem ficar na rua até à meia-noite????? Eu tenho saudades da Arroja velha, com todos os seus “defeitos”

  18. natercia sofia

    nasci em 84 na arroja velha.morava ao pe do cafe do sr felipe ao qual ja nem me lembro do nome, do cafe . tive uma infancia marcada por coisas boas e coisas más como muita gente, em 98 mudamonos e posso dizer ke tenho o caracter persistente devido a onde cresci. . lembrome de brincar na quintinha ate as tantas da noite e nunca houve problemas. havia muita droga sim ,mas nunca nos chateavam ( os drogados) .muitas vezes quando passava no bairro diziam olha ai vai a irma do lecas e do querido.. nunca tive problemas ,tava em casa… mesmo agora sintome em casa quando la vou , mas reparo que em muitos sentidos nao tem nada a ver com antes…. mas se me perguntarem se gosto da arroja a minha resposta sera sempre sim. porque nao ha nada como casa!

  19. Ana Fialho

    Só aponto que o teu primeiro parágrafo se torne redutor. Eu não sou preta, nem cigana, e nem a minha família é retornada, veterana e refugiadas de guerra ou foi realojadas das cheia ou são migrantes do interior. Se vamos meter uma aspecto genealógico neste assunto, posso dizer que sou 3a geração: já os meus avós moravam aqui, depois os filhos também ficaram e depois nós (num número simpático de tios e primos, de tal forma que a minha mãe conta que quando começou a namorar com o pai, sempre que subiam essa rua íngreme de quem vinha de Odivelas, cruzavam-se sempre com um familiar). Muitos de nós saímos entretanto, mas nos anos 80/90 morava, tal como a Soraia, na “arroja velha”, a zona não tão “in”, mas que para mim que lá cresci tinha o melhor parque infantil do mundo, que era o centro de tudo, onde encontravas sempre alguém a qualquer hora do dia e à noite era ponto de encontro quase obrigatório após o jantar. E se há coisa que ficou de ter crescido neste sítio / nessa época, for de ver pessoas com diferentes cores, credos, crenças e passados de igual forma. E sim, aquela esperteza e desenrasco que não se aprende nos livros/escola. E amizades que se mantêm até hoje. Numa realidade que acredito que só percebe a sua riqueza de quem a viveu (não adianta explicar aos demais o que “foi crescer na arroja”, só quem lá esteve é que percebe. Até porque agora é impossível recriá-la. Podemos contar, mas acho que os demais não percebem ou acham sempre que estamos a exagerar ou dizemos algo surreal). Demo-nos bem e recordamos sorrindo, e isso é o que importa!

  20. Sara Brissos

    Não foi o sitio que escolhi para criar os meus filhos, mas tenho excelentes recordações da minha infância na arroja. O que me lembro é de brincar na rua, de haver gente conhecida e jovem em todas as pracetas, de conviver, sair de casa de noite e de dia e de andar sempre a pé ou de bicicleta sem medo. Era um ambiente familiar. Hoje em dia não se vê miúdos a brincar na rua…. Não tenho nada essa recordação dos agarrados e das seringas e de todo esse conjunto de coisas menos boas que falas. Não me recordo de sentir nenhum tipo de constrangimento por viver na arroja. Lembro me da fase de jogar à sirumba, e de brincar na praceta, mais tarde da fase das idas ao café à noite, e mais tarde dos concertos das bandas da zona, dos slam ou slamo, (já não me recordo), dos another cow, entre outras que íamos ver a Odivelas. Guardei tb lembranças tristes, varias pessoas vizinhas, mt novas que morreram, o que me marcou profundamente, mas tirando isso acho q a minha mente registou as partes boas, felizes e mais luminosas do local. Nao, nao era e nao foi o sitio q escolhi para criar os meus filhos, mas lá fui feliz. 🙂

  21. sandra barroso

    Olá Daniel! Revi toda a minha vida no teu texto!
    Nasci em 77 e fui logo viver para a Arroja “velha”… 3 anos mais tarde, subi a rua e fui para as torres de onde não consigo sair. A maioria dos meus amigos de infância, andaram por aqui e ali e acabaram por voltar. Continuamos a ser felizes numa Arroja diferente.
    Curiosamente, ainda hoje falei com um colega de trabalho sobre esta escola, esta escola paralela, da vida, que muitos nem sonham que alguma vez existiu… A Arroja está diferente mas continua a ter as suas animações em frente ao Centro, vejo eu, que tenho vista panorâmica para a zona 🙂
    Obrigada por me fazeres recordar espaços, diversões e pessoas que, apesar de já não estarem entre nós, continuam bem vivas na nossa memória.
    Bem haja!

  22. Fernanda

    Minha querida e saudosa Arroja.
    Quantas lágrimas já deitei com tantas saudades tuas, em 1957 cheguei com apenas 2 aninhos de idade aquela linda aldeia, para nós era uma pequena aldeia, com montes verdes, moinhos a moer as favas e fazer farinha, campos de giestas e malmequeres bravios que serviam para por nas jarras ao Domingo e dias de festa.
    Arroja, ali cresci, brinquei numa inocência maravilhosa, sem medos e cheia de miúdos tão felizes.
    Arroja, ali me fiz jovem, adorava a chegada do Sábado para irmos aos bailaricos do Libras e dos Canarinhos, tudo era tão simples, nos bailes faziam-se festas para conseguir angariar fundos para os nossos amigos que estavam na guerra do Ultramar, e eles tanto agradeciam, brincava-mos no Carnaval com farinha e bisnagas de agua, que liberdade maravilhosa, todos eram amigos.
    Arroja, ali casei com a idade de 23 anos com um jovem também criado na nossa Arroja,
    Arroja, ali nasceu o meu filho, que felicidade tão grande, brincava na rua até ser noite com os amiguinhos e não havia receio de nada.
    Arroja, deixei-te em 1986, já com 30 anos de idade, tanta lágrima que desde casa até ao Aeroporto de Lisboa caíram pelas nossas faces. Minha Querida Arroja, deixei-te para ir descobrir novos horizontes, talvez um pouco a ambição de querer conseguir subir mais um patamar na nossa vida, mas nunca por estar farta de ti, querida Arroja.
    Hoje sonho voltar porque te amo muito, tenho saudades das lembranças, andar descalça no rio onde brincávamos e apanhávamos aquelas rosinhas que cheiravam tão bem. Sentir o mesmo cheiro da manhã quando abríamos a a a janela e era tudo tão lindo.
    Arroja, a minha casinha continua aí á minha espera, a mesma que deixei há 33 anos atrás. Será um grande sonho, se fechar os meus olhos para sempre nessa terra que me criou e onde fui tão feliz.
    Arroja querida até Julho talvez!!!! Visitar-te é sempre tão bom.
    Arroja o meu berço mais lindo que nunca deixarei de amar.
    Maio, 2019
    Maria Fernanda Almeida

      • Fernanda

        Obrigado Daniel
        Uma lágrima, aliás mais que uma, algumas correm neste momento pela minha face, acredite Daniel era tão lindo poder voltar atrás e viver só um pouquinho a felicidade que vivi em criança nessa maravilhosa Arroja.
        Tenho 63 anos, aí aprendi a dar os meus primeiros passos, aí comecei a escola e acabei com 17 anos na Luisa de Gusmão em Lisboa com o curso Comercial, aí casei, aí tive o meu filho, que soube o que foi brincar com os miúdos na rua, (David Almeida) e que hoje é um maravilhoso médico nos Estados Unidos, não temos manias, somos muito humildes, tentámos sempre estar ao lado de amigos, vizinhos se necessitavam de nós, trabalhámos muito, sonhámos e tudo o que sou, que fui e que consegui veio do que aprendi nessa minha linda aldeia chamada Arroja.
        Bem haja e que Deus o acompanhe sempre assim como a todos os Arrojenses e a todo o Mundo.
        Fernanda

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s